segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Onde Crescem os Limoeiros - uma mensagem de dor e esperança


Onde crescem os limoeiros é uma obra que nos transporta para uma realidade onde o sofrimento e a dor imperam, forçando a barreira da nossa indiferença de leitores “ocidentais”.

Mas é também uma história de reconstrução, recomeço e esperança, um sentimento que é fixado no título do próprio livro e lembrado ao longo de toda a história, através da associação com o fruto, símbolo de esperança, e o seu odor, difundido pelos protagonistas do enredo, Kenan que o usa e Salama, a narradora, que se deixa embalar pela fragrância do jovem, corajoso e idealista.

A autora entretece referências significativas para traçar um quadro da guerra na Síria, a partir da cidade de Homs, e mostrar as dificuldades e a violência que acompanham o caminho dos refugiados.

As explicações facultadas no final do livro visam credibilizar o romance ficcionado, sem retirar a dimensão dramática que nos prende ao desenrolar de cada capítulo. O desfecho extra surge como um suspiro de alívio, o final feliz que se anseia no contexto de tamanha tragédia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Duas rainhas nos romances históricos de Isabel Machado

 


Entre as nossas mais recentes leituras incluímos dois livros de Isabel Machado, romances históricos centrados em figuras relevantes, ambas mulheres, rainhas de Inglaterra e Reino Unido, respetivamente Isabel I e Vítória.

Apesar do seu reinado distar mais de 2 séculos, ambas deixaram uma profunda marca na história do país, protagonizando períodos áureos, consagrados com a referência aos seus nomes. Isabel I inaugurou a construção do império marítimo inglês e a rainha Vitória consolidou a afirmação do poderio imperial britânico a nível mundial.

Isabel Machado entrecruza a história de Inglaterra com a de Portugal, fazendo referência a factos e personalidades coevos e abrindo caminho para uma exploração de temas pertinentes, nos domínios político, económico, cultural, religioso.

A autora consegue equilibrar o rigor da contextualização histórica com o tempero do romance e exprime-se através de uma escrita escorreita e gramaticalmente irrepreensível, pelo que a leitura das suas obras é muito agradável e instrutiva.