quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ano Vieirino na BM de Odivelas - Participação da Escola Secundária Braamcamp Freire


Em resposta ao pedido da Biblioteca Municipal de Odivelas, que pretendia organizar uma mostra de trabalhos produzidos pelos alunos das escolas do concelho, os professores de Português das turmas de 11º. ano desenvolveram com alguns dos seus alunos trabalhos relacionados com o estudo da vida e obra do Padre António Vieira, no âmbito de uma rubrica do programa que inclui o estudo dos Sermões dessa figura ímpar na história da literatura portuguesa, na abordagem ao texto argumentativo.
Apresentam-se na íntegra, por ordem alfabética das suas autoras, os trabalhos da turma 4 do 11º. ano, seleccionados para a referida exposição.

1º. texto - Alexandra Guerreiro

O inigualável talento do Padre António Vieira

Este texto expositivo-argumentativo é sobre “o génio de Vieira e o seu inigualável talento de arquitectar argumentos, explorar conceitos, trabalhar as palavras”, ou seja, é sobre toda a capacidade escrita do Padre António Vieira, e será analisado através de alguma informação sobre a sua vida e obra, nomeadamente, o “Sermão de Santo António aos Peixes”.
O Padre António Vieira foi um dos mais importantes escritores do Barroco português. Nasceu em 1608, em Lisboa, e com apenas seis anos foi para o Brasil, para a cidade da Baía, com os pais. Desde muito novo e ao longo de toda a sua vida, o Padre António Vieira foi sempre escrevendo e comunicando com outros povos, absorvendo outras culturas. Todas as suas viagens fizeram-no também viver novas experiências, de tal modo que tudo isto, e os seus estudos, fizeram-no sábio, experiente e com noção do Mundo, o que, na minha opinião, contribuiu para “o seu inigualável talento”.
A sua escrita é vista como um modelo rigoroso e lógico, e nela existe uma grande variedade de vocabulário e várias figuras de estilo, como a antítese, a conotação, a anáfora, a ironia, entre outras. Esta última é bastante utilizada no “Sermão de Santo António aos Peixes”, é o caso do seguinte excerto: “Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar ao pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo costume quase não se sente. Por esta causa não falarei hoje em Céu nem em Inferno; e assim será menos triste este sermão, do que os meus parecem aos homens, pelos encaminhar sempre à lembrança destes dois fins.”- Parte II do Sermão, linha 1 à 6. Por outras palavras, o Padre António Vieira, supostamente, estava a pregar um sermão aos peixes, mas não, indirectamente ele estava a falar para os homens. Outras das suas especialidades são os seus silogismos, isto é, os seus raciocínios lógicos.
Em suma, todos os seus argumentos, pensamentos, as suas ironias e o seu vocabulário diferenciado, único e variado, fizeram dele um “inigualável talento”, capaz de “arquitectar argumentos, explorar conceitos, trabalhar as palavras”.

2º. texto - Joana Monteiro

O Génio de Vieira

“O génio de Vieira, o seu inigualável talento de arquitectar argumentos, explorar conceitos, trabalhar as palavras.”

Ao lermos textos do Padre António Vieira como o Sermão de Santo António aos Peixes é difícil não repararmos nem ficarmos admirados com algumas características notáveis do seu discurso. Começando na boa construção e organização dos seus argumentos e de todo o seu raciocínio, passando pela exploração de conceitos e acabando na maneira como trabalha as palavras através dos recursos estilísticos, são muitos os exemplos que nos permitem afirmar e confirmar o génio de Vieira na elaboração das suas obras.
Em primeiro lugar, é de facto necessário referir que no Sermão existe sempre uma linha lógica de raciocínio que se mantém ao longo de todo o texto (veja-se como exemplo o facto de o discurso para os peixes ser feito segundo as funções do sal) e que, apoiada por articuladores de discurso, nos permite seguir as palavras do Padre. Claro que não é apenas necessário um modo de pensamento correcto para que o Sermão cumpra os seus objectivos, os argumentos bem fundamentados utilizados por Vieira são também grandes responsáveis e são muitos os exemplos de justificações de argumentos feitas através de referências bíblicas (como Jonas ou Noé, na parte II) ou outras (como Aristóteles, na mesma parte) ao longo do texto.
Também é importante mencionar a grande capacidade do Padre para usar a conotação, ou seja, utilizar as palavras para além do seu sentido literal. Aliás, todo o texto tem uma segunda intenção, porque ao falar com os peixes, por exemplo, ao louvá-los, o Padre acaba por criticar as atitudes dos homens, pois é para eles que, na verdade, é dirigido o Sermão. Assim, algumas frases críticas podem ser melhor percebidas quando pensamos no duplo sentido que podem ter.
Por último, é necessário falar dos vários recursos estilísticos presentes no texto. Por um lado, temos aqueles que mostram o seguimento da razão, permitindo mostrar dois aspectos de um mesmo assunto e organizar o discurso para que este seja melhor explicado e entendido. Como exemplos, temos a simetria (e a simetria invertida, o quiasmo) e o paralelismo, bem presentes ao longo de todo o texto (por exemplo, “Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar.”, linhas 9 a 11 da parte I) e na própria organização do Sermão e, para além destes, temos ainda a antítese (“… pesquem tanto, e que tremam tão pouco…”, linha 91 da parte III). Por outro lado, temos os recursos estilísticos mais relacionados com a expressão de emoções e destinados a captar a atenção do público e a intensificar uma ideia ou problema. Entre eles podemos referir a apóstrofe através do uso de vocativos, a utilização de expressões emotivas (“Oh!”), de repetições e de interrogações retóricas (“Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António?”, linhas 39 e 40 da I parte).
Por todas estas razões, Vieira consegue cumprir os objectivos do Sermão: captar a atenção dos ouvintes tentando levá-los à correcção dos seus erros, e fazer uma crítica à sociedade que o rodeia e aos homens que dela fazem parte. O mais curioso é que algumas das críticas, como as paixões humanas da parte III, feitas então pelo Padre se mantêm até à sociedade actual. Talvez também por esta razão o discurso do Padre António Vieira nos surpreenda tanto e talvez também por isso o consideremos tão genial.

3º. texto - Patrícia Moreno

Uma arte admirável

Ao abordar “O génio de Vieira, o seu inigualável talento de arquitectar argumentos, explorar conceitos e trabalhar as palavras”, proponho-me debater as seguintes questões: por que será que Vieira é um génio? Por que será o seu talento de arquitectar argumentos inigualável? Como explora os conceitos e trabalha as palavras? Seguidamente vamos argumentar acerca da frase referida anteriormente e expor algumas ideias do nosso ponto de vista, respondendo às questões anteriores.
Vieira recorria naturalmente às técnicas que a Retórica organizara e reunira para fazer da sua palavra um meio eficaz de entretenimento e actuação, porém, no domínio das técnicas retóricas, Vieira não era propriamente um inovador uma vez que utilizava os processos que a escola ensinava. Por conseguinte, as técnicas eram comuns a quase todos os oradores da época. A maneira de as pôr em prática é que revela o génio de Vieira e o seu inigualável talento de arquitectar argumentos, visto que redigia sermões não só com o objectivo de instruir o auditório, agradar-lhe e comovê-lo, fazendo uma intervenção na vida política e social, mas também modificá-lo na sua conduta moral e política e criticá-lo socialmente, como podemos ver no Sermão de Santo António aos Peixes, no capítulo I, l. 54, em que há uma crítica explícita aos homens: “... já que os homens não se aproveitam...”.
Vieira era excelente na arte de tirar partido da polissemia das palavras, palavras utilizadas não só nas suas capacidades semânticas mas também na sua “materialidade fónica” e no seu “aspecto gráfico”, como defende Maria Lucília Pires. Todos estes elementos são utilizados na construção de um discurso talentoso. Com efeito, este autor também tem um talento inigualável de trabalhar as palavras utilizando-as numa variedade por vezes antitética, como por exemplo: «cegueira», «cego», «vede», «olhai». É apelando aos sentidos e à razão com insistência e com argumentos de verdade que visa convencer o auditório. Relendo o Sermão, podemos verificar na frase (parte III, ll. 34-36) “Só havia uma diferença entre Santo António e aquele peixe: que o peixe abriu a boca contra quem se lavava, e Santo António abria a boca contra os que se não queriam lavar”, que o Padre António Vieira trabalha bem as palavras ao utilizar a palavra “lavar” em dois sentidos (conotação).
Estou certa que Vieira é único a explorar conceitos de uma maneira extraordinária ao compará-los uns com os outros, utilizando argumentativamente várias vezes a simetria entre a terra e o sal, como na parte I, ll. 9-11 : “Ou porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar.”
O ritmo encantório que prende qualquer um pelos argumentos ponderados, pela riqueza e propriedade verbais, pelos paradoxos e efeitos persuasivos, tornaram a arte de Vieira admirável, de tal modo que este autor está presente nas nossas vidas hoje e para sempre.

4º. texto - Tatiana Rodrigues

O Génio de Vieira

Por que razão é António Vieira considerado um génio? Por que razão é o seu talento para arquitectar argumentos inigualável? Como é que os arquitecta? Como é a sua habilidade de explorar conceitos e trabalhar as palavras? Estas são as perguntas que eu coloco e a partir das quais irei glorificar o grandioso Padre António Vieira.
Vieira tinha um inigualável talento de arquitectar argumentos, explorar conceitos e trabalhar as palavras porque foi submetido a uma dura disciplina na escola jesuíta, onde aprendeu o domínio de técnicas retóricas de escritores clássicos como Aristóteles e Cícero. Vieira aplicava as técnicas comuns dos escritores da época, mas o modo de as pôr em prática é que revela a razão de Vieira ser considerado um génio a construir argumentos.
António Vieira estabeleceu contacto desde muito jovem com os povos indígenas, admirando os seus costumes e colocando-se a seu lado para os defender de torturas e humilhações, de tal modo que se destacou por ser o pregador das terras brasileiras e um defensor infatigável dos direitos humanos. Por isso, incansavelmente, pelejou contra a exploração e a escravização dos índios, visto que este povo trabalhava arduamente para os seus colonizadores, carregando e descarregando fardos sob os chicotes dos capatazes. Como bom retórico que era, e partindo da sua experiência como missionário, escreveu várias alegorias, tal como O Sermão de Santo António aos Peixes, onde encontramos o tema da defesa dos direitos humanos dos Índios e onde encontramos a sua admirável forma de expressão escrita.
A meu ver, neste Sermão é completamente visível o seu inigualável talento de arquitectar argumentos, o que se manifesta quando tem a coragem de criticar abertamente e satirizar os homens em “discursos engenhosos”. Concordo com o facto de o seu talento ser inigualável, único e distinto de todos os outros escritores, não só porque faz pregações morais com a finalidade de ensinar, mostrar o seu ponto de vista e tentar mudar o que está errado, mas também pela forma sublime como escreve e retrata a realidade, pelo “imprevisto da fantasia construtiva” e da caricatura (Hernâni Cidade), pela “sensação cativante da novidade” (Cândido Martins); pela forma como consegue construir argumentos de uma forma elaborada, metafórica e pela causticidade da ironia, como se pode ver numa das frases de Vieira que passo a citar: “Não só (peixes) vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se os pequenos comerem os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.”
A sua habilidade de explorar conceitos e de trabalhar as palavras, na minha opinião, é também perceptível no mesmo Sermão quando escreve, e passo a citar: “Ou é por que o sal não salga, ou é porque a terra não se deixa salgar”. Aqui o autor estabelece uma analogia entre o conceito de sal e o pregador e entre o conceito de terra e os ouvintes, fazendo uma espécie de jogo (o conceptismo). A sua escrita é claramente dialéctica, o que dá mais ênfase à expressividade do texto, que eu admiro pela sua originalidade e efeito nos ouvintes. O facto de o autor trabalhar muitas vezes com frases curtas, que imprimem um ritmo rápido de compreensão do sermão, combinadas com muitas interrogações retóricas, que conduzem a uma entoação viva e apelativa dos seus discursos, deixam o leitor pasmado com a subtileza das críticas feitas através das metáforas e pela forma fantástica como escreve os seus sermões, ou seja, o leitor espanta-se não só pelo conteúdo como também pela forma como veicula esse conteúdo, tornando sublime a Língua Portuguesa.
Concluindo, é de louvar António Vieira pela sua perseverança como pregador e pela sua notável capacidade de escrever e argumentar. Podemos dizer, então, que o Padre António Vieira é o Sal da Terra e um dos expoentes máximos da Língua Portuguesa.



terça-feira, 14 de outubro de 2008

Leitura andante



Todos os momentos são bons para ler e todos os lugares servem para acolher livros, revistas ou simples excertos.
A leitura anda na escola...

Autores de Outubro


Ler e comunicar por diferentes meios e com múltiplas artes: através da escrita (Manuel da Fonseca), das artes plásticas (Júlio de Resende) e da música (John Lennon).
Três autores ligados ao mês de Outubro, a que procurámos dar visibilidade na biblioteca e noutros espaços da escola.

Autores de Outubro



No domínio da música, surge-nos John Lennon, um dos Beatles, a banda inglesa que marcou os anos de 1960.
John Lennon foi um ícone do século XX.
Como fundador dos Beatles, era o líder natural da banda.
Em 1960, os Beatles eram formados por John Lennon (guitarra), Paul McCartney (guitarra), George Harrison (guitarra), Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria).
Em 1962 trocaram de baterista, entrando assim Ringo Starr também de Liverpool.
Finalizava-se então a formação dos Beatles com John Lennon (guitarra), Paul McCartney (baixo), George Harrison (guitarra) e Ringo Starr (bateria). Paul McCartney passou a tocar baixo após a saída de Stu.
Em 5 de Outubro de 1962, os Beatles lançaram o seu primeiro compacto com a música "Love me Do".
No dia 11 de Fevereiro de 1963, em apenas um dia, gravaram o seu primeiro álbum “Please Please Me”.
Começou a beatlemania.
Em 1968, John Lennon apaixonou-se pela artista plástica Yoko Ono e depois disto ela tornou-se a pessoa mais importante na vida e carreira do músico inglês.
Protestaram juntos contra a guerra do Vietnam.
A gravação da música "Give Peace a Chance" em 1969 contra a Guerra do Vietnam marca a transformação de Lennon em activista anti-guerra.
Em 1970, os Beatles chegaram ao fim e a partir de então John Lennon dedicou-se à carreira a solo.
Yoko Ono foi e ainda é considerada por muitos fãs dos Beatles como uma das principais causas da separação do grupo.
Em 1980 voltou aos estúdios para gravar um novo álbum. Era como um recomeço.
Em 8 de Dezembro desse ano, John foi assassinado em Nova York por Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, quando retornava do estúdio de gravação junto com a mulher.

Autores de Outubro

Nas artes plásticas, destacamos Júlio de Resende.
Frequentou a Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Iniciou a sua actividade artística como ilustrador em semanários infantis e na imprensa diária.
Na década de 1940, as passagens por Madrid, onde tem contacto com as obras de Goya, e por Paris irão influenciar a sua obra de estilo expressionista. Marcado também pelo cubismo de Picasso, os seus quadros apresentam uma pintura dinâmica, geométrica, que caminha progressivamente para a abstração.
Destaca-se o caráter social de muitos dos seus quadros, nos quais situações do quotidiano popular são retratadas de forma geométrica com uma estrutura pictórica triangular, por vezes, quase abstracta, como se pode observar nas pinturas do Alentejo realizadas entre 1950 e 1951.
A mudança do Alentejo para o Porto irá produzir telas com estruturas geométricas rectangulares e pincelada mais solta e leve, mas em que a temática do trabalho e a vertente social continuam.
Uma viagem ao Brasil, em 1971, introduz uma nova mudança no estilo do pintor: a diagonal passa a dominar a estrutura do quadro.
Com uma carreira diversificada - pintura a fresco, vitral, painéis cerâmicos, ilustração de obras literárias e cenários teatrais -, Júlio Resende, professor na Escola de Belas-Artes do Porto, já fez mais de 50 exposições individuais e numerosas colectivas, está representado em vários museus e em muitas colecções particulares na Europa, África e América do Norte e Sul.

Autores de Outubro

O escritor Manuel da Fonseca, foi um dos nomes que escolhemos como autor do mês de Outubro.
Nasceu em 15 de Outubro de 1911, em Santiago do Cacém.
Aqui se manteve até completar a instrução primária.
Desde muito cedo, por influência do pai, se iniciou no mundo da leitura.
Na escola, cultiva a sua paixão pela escrita.
A continuação dos estudos leva-o a Lisboa onde frequenta o colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões e a Escola Lusitânia e, mais tarde, a Escola de Belas Artes. As férias passa-as em Santiago do Cacém.
Na grande cidade dá longos passeios. A vida nocturna fascina-o.
Encontra os seus primeiros empregos no comércio e na indústria. Apesar de muito ocupado, encontra tempo para o toureio e o desporto - jogou futebol, interessou-se pela espada e florete e ousou mesmo ganhar um campeonato de boxe.
Em 1925 publica num semanário de província os seus primeiros versos e narrativas.
Foi habitual colaborador em revistas literárias, como O Pensamento, Vértice, Sol Nascente e Seara Nova.
O escritor fez parte do grupo do Novo Cancioneiro, fazendo da sua obra uma importante intervenção social e política. Manuel da Fonseca, escritor do neo-realismo português, desenvolveu em prosa uma obra que retrata o Alentejo, as suas vilas e os seus montes, a sua ruralidade, o sofrimento da sua gente, a solidão. Membro do Partido Comunista. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura.
Manuel da Fonseca chegou a fazer a Escola de Belas-Artes, deixando registros dos seus traços em retratos de amigos, com José Cardoso Pires, mas nunca se sobressaiu como artista plástico.

O Vagabundo do mar

Sou barco de vela e remo
sou vagabundo do mar.
Não tenho escala marcada
nem hora para chegar:
é tudo conforme o vento,
tudo conforme a maré…
Muitas vezes acontece
largar o rumo tomado
da praia para onde ia...
Foi o vento que virou?
foi o mar que enraiveceu
e não há porto de abrigo?
ou foi a minha vontade
de vagabundo do mar?
Sei lá.
Fosse o que fosse
não tenho hora marcada
ando ao sabor da maré.
É por isso, meus amigos,
que a tempestade da Vida
me apanhou no alto mar.
E agora
queira ou não queira,
cara alegre e braço forte:
estou no meu posto a lutar!
Se for ao fundo acabou-se.
Estas coisas acontecem
Aos vagabundos do mar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Dia Europeu das Línguas


As línguas são a própria essência da União Europeia. As línguas que falamos definem quem somos. A União Europeia respeita a diversidade cultural e linguística dos seus cidadãos.

Desde 2001, o Conselho da Europa e a Comissão Europeia decidiram que o dia 26 de Setembro seria, anualmente, o Dia Europeu das Línguas, para comemorar o rico património de culturas e tradições que todas as línguas europeias representam - e não apenas as 23 línguas oficiais da União Europeia.

A diversidade linguística dá-nos a oportunidade de entrar na pele de outra pessoa e ver a vida de uma perspectiva diferente.

Neste dia, pedimos a alguns alunos que comentassem a afirmação que se segue. Deixamos aqui os melhores trabalhos, que ilustram não apenas a expressão escrita em diferentes idiomas mas também perspectivas diversas.

As línguas abrem caminhos

O conhecimento linguístico diversificado de uma pessoa permite-lhe comunicar com o Mundo, todo ele, não só uma parte. Sabemos que, nos dias de hoje, é praticamente impossível saber falar todas as línguas do mundo porque existe uma língua para cada país e, nalguns casos, mesmo dentro do próprio país existem vários dialectos. No entanto, se uma pessoa souber falar três ou quatro línguas, é um grande avanço para conhecer outras culturas, outras tradições e outras pessoas.
Por isso é que as línguas abrem caminhos, permitem conhecer tudo aquilo que nós quisermos e falar com quisermos; abrem caminhos para outras culturas.
Ricardo D., 11º2ª

Les langues ouvrent des chemins
Savoir des langues c’est une vertu, ça ouvre la prision de l’ignorance et contribue pour un monde plus ami.
Ana Lopes, Ana Santos, 9º5ª

Languages open ways

... a person who knows many languages has more opportunities in the future of getting a better job or a better life outside her(his) country.
Vera Ferreira, 10º2ª