Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Literatura definicional

Texto a transformar: Amparo perdeu a memória no dia em que foi torturada, ainda era uma menina (fizera dezoito anos),pouco depois de os militares tomarem o poder no seu país. Durante algum tempo, após sair da cadeia, tinha de trazer sempre um papel com o nome e o endereço. Acontecia-lhe telefonar para alguém e ficar suspensa.

AGUALUSA, José Eduardo, A Substância do Amor

 Texto transformado: Amparo perdeu a capacidade de recordar acontecimentos passados desde o dia em que, foi sujeita a um grande sofrimento físico e psicológico, era ainda uma menina (fizera dezoito anos) pouco depois de aqueles que fazem parte do exército tomarem o poder no seu país. Durante algum tempo, após sair do local onde se encontram pessoas detidas, tinha de trazer sempre um documento escrito com o nome e o local onde mora. Acontecia-lhe comunicar com alguém pelo telefone ou pelo telemóvel e ficar imobilizada.

Turma: 9º 3 Ricardo José Pereira nº19; Pedro Pardal nº18; Telma Tavares nº22

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

o abismo

O abismo

Abismo, o que é?
Abismo é o mar sonoro,
mar sem fundo, mar sem fim.
Abismo é o céu escuro, estrelado, 
cheio de mistérios e segredos.
Uns desvendados outros por desvendar.
O abismo é um mistério
escondido
entre nós.
O abismo é uma folha de
papel em branco. 
O abismo é uma promessa
não cumprida.
O abismo é uma casa
abandonada
à espera que alguém a encontre. 
                                                                                          Bernardo Mendes, 8º2

Só sei que nada sei

Só sei que nada sei

Sou quem sou,
Sinto o que sinto
No meu coração.
Não sei se é amor ou ódio
Tristeza ou felicidade.

Não sei se canto
A minha música de eleição
Num canto do meu quarto de fantasia,
Não sei o seu comprimento,
Mas sei que é grande,
Do tamanho da minha imaginação.

Lilás,
A cor do meu cinto e
A minha cor favorita, 
Sei-a sempre de cor.
Quando cumprimento a noite,
Depois do dia.
                                                         Ana Fonseca, 7º 1

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Natália Correia - Mulher, autora de Março

Há quase duas décadas que Natália Correia calou a sua Voz (16 Março 1993), sempre audível, esclarecida e tão pertinente que incomodava. Açoriana de nascimento (13 de Setembro de 1923), a vivência cosmopolita atenuou mas não eliminou os traços da sua condição insular, presente na sua obra literária .
Poetisa, ficcionista, ensaísta, tradutora, activista social, dividiu a sua criatividade pelo teatro e pela investigação literária.
Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Vários dos seus livros foram apreendidos pela censura. Viu-se condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Figura central das tertúlias que reuniam em Lisboa nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas nas décadas de 1950 e 1960.


                                           Pintura de Carlos Botelho
Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções que se reflete na sua escrita.
A sua obra está traduzida em várias línguas.

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Poema "Partir"

Partir…

Deste velho cais
Parte uma parte de mim,
Para aquele fundo horizonte sem fim!
Talvez volte… Talvez não…
Para quê pensar assim?!

Toda a minha existência
É feita de ilusões…
Toda a minha liberdade
É feita de questões…

Enfim… Assim posso querer partir
Destas velhas recordações.
Posso tentar chegar,
Onde sempre sonhei ir…

Despeço-me agora
De todos os meus pesares.
Apresento-me então
A todos os meus pensares!

Despeço-me de mim mesma
Para assim poder chegar
Onde aquele tumultuoso azul
Me quiser levar…
(Mesmo com rumo à felicidade
Nunca se sabe a vontade do mar…)

Persistência e segurança, onde estão?!
Agora que já partiu para o horizonte sem fim,
Talvez aquela parte que partiu
Queira um dia regressar para mim…


Madalena Almeida (aluna do 9º ano)

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Cartas com destinatários extraordinários


Os alunos do 8º 3 tiveram de responder ao desafio de escrever uma carta para um destinatário desconhecido e "extraordinário". Foi um exercício que apelou à sua imaginação, muito embora tivessem sido apresentadas algumas sugestões de destinatários possíveis.
A professora de Português, selecionou os melhores trabalhos: um texto dirigido ao mar, da autoria de: Daniela Carvalho, Inês Rebelo e kenny Rosa e outro, cujo destinatário era uma banana, redigido pelo grupo do Miguel Brás, do Jorge Alves e do José Correia.

                                                                         Texto 1
                                                                                                   Porto Covo, 9 de Setembro de 2015

Querido Mar:
Olá, como estás? Como não tenho sabido nada de ti, tenho par te dizer que gostava de ir ter contigo mas está muito frio e tenho estado constipado e por isso é que ainda não fui! Gostava de saber se tens transportado muitas mensagens e se os peixes estão bem. Tens tido muitas ondas? E os surfistas gostam de ti? Espero que sim. E tesouros? Quantos barcos já se afundaram? Esses tesouros como são? Que novidades temos por aí? Quero saber tudo!Aqui pela terra está tudo normal não existm novidades! O meu amigo Alexandre manda-te beijinhos. Até ao Verão. Beijinhos.
Do teu amigo Gonçalo.



                                                                      Texto II
                                                                                             Bananolância, 33 de Setembro de 2739

Querida Banana:

Olá, como, estás? tenho saudades do resto da tua espécie. Desde que os macacos vos comeram a todos, menos a ti, tu, que sobreviveste à grande guerra do Brazil.
Agora estou num campo de concentração para [transportados] da guerra e acho que vi a tua irmã morta, já descascada no meio da estrada. Como sou teu amigo, coloquei-a no lixo. Espero que estejas a reproduzir bem para retomarem a guerra e vencerem finalmente o império macacanês.
Eu cá estou a fazer a minha parte construindo uma arma com pêlo de macaco e bals de caganitas que eles deixam no chão. E enquanto isso, eles substituíram todos os filmes originais pelo planeta dos macacos, sei que é um bom filme mas já estou farto!
Espero que a espécie das bananas e os seres humanos vençam esta luta frente aos macacos para os seres humanos voltarem a cultivar as bananas e voltarmos a comer-vos.
Os teus amigos de longa data:
Miguel, Jorge e José                                           



Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Hélia Correia e Jaime Rocha - uma inspiração comum

A convidada do "Câmara Clara" no dia 19 de Fevereiro de 2012, autora, cultora de temas clássicos (gregos) e admiradora da personagem feminina que preencheu o universo literário e artístico da Irmandade Pré-rafaelita, Lizy, fala de como se apropriou desta personagem, desde que travou
conhecimento com a "Ofélia" de Millais até à redação do seu livro "Adoecer".
Hélia Correia assume-se muito próxima dos românticos, sobretudo ingleses, do seu fascínio pelas ruínas, da disrupção que representam e explica a relação dos temas “antigos” e novecentistas na sua obra pela convivência mútua, pela apropriação simultânea de algumas personagens.
De igual modo, Jaime Rocha, representa em  “Necrophilia” um  Universo poético de inspiração pré-rafaelita. Trata-se de uma construção literária que pretende fazer a recuperação de uma época e de uma mentalidade.