terça-feira, 6 de novembro de 2012

Humor nos tempos de crise - exposição

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O humor encarado como auto-ironia e auto-erosão foi uma das ideias condutoras deste projeto que reúne no Museu da Electricidade em Lisboa um conjunto de obras que pretendem levar os visitantes a refletir sobre o sentido do humor que lhes é revelado de uma forma muito séria. 
No programa Câmara Clara os curadores deste evento apresentaram-nos a exposição, ao mesmo tempo que davam conta das suas motivações e responsabilidades, estimulando a curiosidade dos telespectadores 

Viajar na Champagne - Conversas à 4ª feira


Esta quarta-feira, as conversas transportaram-nos à região francesa de Champagne, famosa pela reputada bebida, conhecida mundialmente pelo mesmo nome. A professora Luísa Campos levou-nos numa viagem pela história e pela cultura desta região, através de fotografias e da sua experiência pessoal. Uma partilha a duas cores, a Champagne verde, cheia de vida e a Champagne vítima das duas grandes guerras. Uma convivência resultante da decisão dos seus habitantes que, deliberadamente, não querem que as feridas sejam encobertas pela reparação dos sucessivos estragos, mas permaneçam na memória de todos, como uma lição para todas as gerações. Filosofia partilhada por Rodin e Le Courboisier.

Arras (o seu cemitério), Mur des Fusilles, entre outros, são memoriais dedicados a todos os franceses que caíram em defesa do seu país. Chalons-en-Champagne, Reims exibem a preciosa bebida, da qual duas marcas se destacam, Moêt et Chandon e Mercier. Esta última foi levada, numa grande pipa, por dois corpos de juntas de bois para a Feira Mundial de Paris.

Curiosamente, as caves rochosas onde trabalhavam os empregados do senhor Mercier, foram por ele decoradas com estátuas para os seus trabalhadores beneficiarem de um ambiente mais acolhedor e harmonioso. Eles trabalhavam, diariamente, dezoito metros abaixo do solo!
Esta viagem chegou ao fim, com as manifestações de agrado do público presente, que incluía dois ex-alunos da escola. A vontade de visitar a Champagne ficou no ar e os alunos foram reagindo consoante a sua sensibilidade, quer ao aspeto mais verde e vivo, quer ao aspeto mais triste e devastador da região. A indiferença não teve aqui lugar.

sábado, 27 de outubro de 2012

Conversas à 4ª f: - A crise económíca


O professor Arménio Carreira iniciou a conversa sobre a crise económica, referindo as principais causas que podem levar um Estado a chegar a uma situação em que lhe faltem os recursos económicos. Esclareceu que, quando essa situação se agrava, surge a necessidade de pedir ajuda externa, o que implica o endividamento, não só relativo ao montante da quantia emprestada, como também dos respectivos juros. Para fazer face às obrigações decorrentes da necessidade de proceder ao pagamento destas dívidas, os governos exigem o cumprimento de medidas que afectam inevitavelmente a vida das empresas, dos trabalhadores e das famílias.



Uma vez que, em Portugal, estamos a viver os efeitos de uma crise desta natureza, acentuada pelas medidas de austeridade impostas pelo governo, o professor Arménio Carreira promoveu o debate da questão, solicitando aos alunos que manifestassem as suas opiniões a respeito deste assunto, e que apresentassem medidas alternativas, que considerassem poder revelar-se eficazes para combater a crise económica no nosso país.

Os alunos presentes, mostraram estar bem informados sobre a realidade nacional, e expuseram opiniões fundamentadas, de entre as quais se podem destacar as que se centraram em medidas como a mudança de governo, a criação de oportunidades para os jovens entrarem no mercado de trabalho, o aproveitamento dos recursos naturais, o aumento das exportações, e o consumo de produtos nacionais.

O professor Arménio Carreira foi aproveitando as intervenções dos alunos para validar a pertinência das que foram formuladas com mais rigor e convicção, tendo elogiado a participação de todos.

Manuela Silva

A Biblioteca Escolar: uma chave para o passado, presente e futuro


"Outubro é o mês em que se comemora a Biblioteca. O nosso contributo para essa comemoração, será a redação de textos alusivos a esse espaço a que, de alguma forma, estamos ligados."
Assim sendo, a tarefa proposta aos alunos do 7º 2, no âmbito do projeto de escrita criativa, consistiu em escrever um texto de 100 a 200 palavras, iniciando-o com uma das seguintes frases:
"Eu sou a Biblioteca e esta é uma página do meu diário:"
"Eu sou a Biblioteca do passado..."
"Eu sou a Biblioteca do presente..."
"Eu sou a Biblioteca do futuro..."
"Eu sou uma estante de livros. O meu sonho é poder,um dia,viver numa Biblioteca"

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mário de Carvalho no Câmara Clara

Mário de Carvalho, o convidado do programa Câmara Clara, no dia 21 de outubro, foi desafiado a falar das suas mais recentes obras, O Varandim, seguido de Ocaso em Carvangel e a pronunciar-se sobre as leituras preferidas, em particular no que respeita aos autores clássicos, entre os quais Mário de Carvalho destacou dois expoentes da literatura portuguesa do século XIX, a saber, Camilo Castelo Branco (comemoração dos 150 anos da publicação do Amor de Perdição) e Eça de Queirós. Questionado sobre o seu percurso político, associado ao partido comunista, a propósito da realidade atual, o autor admitiu uma falta de identificação com a prática partidária e esquivou-se a dar respostas diretas às questões de opinião colocadas por Paula Moura Pinheiro.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ciência e Literatura - um diálogo (im)possível?!




O projeto "E o céu aqui tão perto:diálogo entre Ciência e Literatura" teve no dia 18 de outubro o seu primeiro momento de encontro das duas turmas envolvidas (10º2 e 10º 6) e respetivos professores, introduzido pelas palavras de Rui Bastos, um ex-aluno da ESBF, convicto colaborador do LCV e amante de muitas e variadas leituras mas com particular inclinação para o género "ficção científica". Depois do "seminário", alunos e professores conviveram e saborearam um "lanche temático" .




«As diferenças entre a Ciência e a Literatura dificilmente podiam ser maiores. Se por um lado as Ciências exigem rigor, objectividade e o seguimento de regras exactas, as Letras são muito mais liberais, subjectivas e com uma certa tendência para o desprezo pelas regras. E no entanto são duas áreas que não só se misturam frequentemente, como o fazem facilmente, devido a uma série de pontos comuns que as ligam apesar das diferenças. (...)
Pessoalmente acho que é algo complicado de explicar, mas a Astronomia, para mim, é um exemplo perfeito da união e da complementaridade de ambas as áreas. Ainda para mais quando essa sintonia resulta num género literário como a Ficção Científica, do qual sou um aficionado e que já me providenciou das melhores leituras da minha vida. Livros como 2001 – Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clarke, são para lá de geniais… Este em particular é uma verdadeira obra-prima da literatura, com algumas das melhores descrições do espaço que eu já li. A forma como o autor nos faz viajar por entre as estrelas, como se estivéssemos de facto a espreitar pela janela de uma nave espacial é divinal. E o livro tem um rigor científico fora do comum para uma obra de ficção.
            Já para não falar de Júlio Verne e dos seus livros Da Terra à Lua e À Roda da Lua, com uma Ciência minimamente plausível e descrições espaciais, nomeadamente lunares, simplesmente fascinantes e perfeitas. E a quantidade de livros sobre os quais ainda podia falar torna ridícula a ideia de que a beleza não existe na Ciência, ou de que a Literatura é incapaz de captar a sua essência. Porque ambas as áreas não passam de duas faces da mesma moeda, ou de duas abordagens diferentes para fazer exactamente a mesma coisa: perceber o Mundo que nos rodeia.
            Isto leva a que da mesma forma que posso dizer que há poucas coisas tão diferentes como a Literatura e a Ciência, posso também afirmar sem qualquer peso na consciência, que é ainda mais complicado encontrar duas coisas que sejam, ainda assim, tão semelhantes.

Rui Bastos


Deus? O que é isso - Conversas à 4ª feira


Dando continuidade ao projeto iniciado no dia 10, realizou-se o 2º encontro dinamizado pelo professor de Filosofia, Luís Ladeira e que contou com a presença de duas turmas de 11º ano e alguns alunos do 12º ano, para além dos professores a lecionar as turmas nesse horário, as professoras responsáveis pela iniciativa e outros docentes e funcionários que participaram na "Conversa", à semelhança do que se passou na 1ª sessão. O tema era aliciante e suscitou alguma inquietação nos alunos que, esperando respostas, saíram com dúvidas acrescidas ou a consciência da complexidade desta questão, do que nos dá conta o texto síntese do orador:


Deus, o que é isso? Ou deus, o universo e eu
O universo é um absoluto. Isto é, o universo não pode ter nem começo nem acabamento, nem pode ser limitado.
Um tal ser é um absoluto. Mas não vale a pena remeter esse absoluto para fora do universo, por dois motivos:
1-    Esse absoluto exterior (transcendental) ao universo é tão incompreensível como um universo absoluto (pois, em qualquer dos casos, nós não temos (ou ainda não temos) categorias de pensamento que apreendam o significado de absoluto)
2-    Um universo não absoluto é não apenas incompreensível como é também um absurdo.
É absurdo falar de um universo que nasce, se expande e se retrai num dado espaço e através do tempo (se espaço e tempo pré-existissem então já existiria universo), tal como é incompreensível pensar num universo limitado (o que quer que o limitasse também seria universo).
Donde, se não tem sentido falar de uma realidade transcendente ao universo, de um puro espírito eventualmente criador do universo, é porque o universo não é apenas astrofísico e as suas vertentes limitadas e temporais são apenas formas de um estado do universo, mas não o esgotam. Os teístas, os que querem remeter para uma ser transcendental a razão de ser do universo, acabam por reduzir este a uma realidade apenas física, separando matéria e espírito. Os que contestam o teísmo, ateus ou ateístas, por sua vez, laboram no mesmo pressuposto de separação da matéria e espírito, ajuntando porém boas razões para duvidarmos da existência dum puro espírito criador da matéria. Mas apenas o agnosticismo, rejeitando o deus transcendente, acrescenta a dimensão de absoluto ao universo, pois que o suspeita com dimensões que ultrapassam a finitude da matéria, tal como a nossa experiência quotidiana no-la apresenta. O agnóstico rejeita a transcendência, mas «descobre» o absoluto imanente. E nesse absoluto se reconhece a si mesmo como ser do universo que é.
Luís Ladeira